| Descrição: | Vezes sem conta,
Olho para a paisagem
E vezes sem conta a acho bela.
Abarco com o olhar
Tudo. O que me apraz ver
A terra,
As arvores, as flores...
O céu, as aves, tudo.
Lá longe o mar.
Na minha linha de horizonte
As cristas das ondas...
Lá longe,
Onde perco o mar
E confundo o céu...
Perco-me no meu olhar.
Observo o sol a pôr-se
E a quente brisa da tarde
A dar lugar, à fresca brisa
da noite, que se faz anunciar.
Sinto a tristeza, de um dia a finar
E de uma noite triste a chegar.
Olho, os últimos raios,
Que se diluem nas águas,
No horizonte, que se funde.
Vezes sem conta...
Vejo tudo, o que abarco
E não te vejo...
Onde paras?
Onde te escondes?
As aves perdem-se
No imenso céu, escuro
E eu perco-me
No imenso sentir
De mim.
(Augusto P.Gil)
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