| Descrição: | Tão fiel te fui a vida inteira,
E deixas-me na hora da verdade!
Eras a minha própria liberdade,
O meu anjo-da-guarda vigilante.
E quando, confiante,
A namorar o mundo na paisagem
E a ver em cada verso a tua imagem
Sorridente,
Eu porfiava em alcançar a meta
Do longo e penitente
Caminho do poeta
A que fui condenado,
Sinto-me de repente
abandonado.
Sem a razão
De ter inspiração,
Traído,
Desmentido
E deseperado.
(Miguel Torga) |