| Descrição: | Carta do Homem do Passado para o Homem do Futuro.
Um dia sonhei que podia ter tudo, que com a minha inteligência podia transformar, controlar e fazer do mundo o que bem queria.
Destruir, destruir e mais destruir que me ajudavam a alcançar poder, poder e mais poder.
Esta minha ignorância tornou-se numa obsessão, e esqueci-me do mais importante, que tenho de respeitar para ser respeitado. O mais belo reside no que eu jamais posso controlar, como um sorriso espontâneo pela manhã, o prazer de respirar ar puro, o vento leve num dia de calor, o cantar dos pássaros à janela, o barulho do rio que corre, o cair das folhas das árvores no Outono, as flores que aparecem na Primavera.
Depois de tanto mal ter feito, aqui me recolhi, neste pequeno canto que a minha mão felizmente não alcançou quando era jovem, inconsciente e tinha sonhos delirantes. Admiro a paisagem e fecho os olhos para tentar espelhar dentro de mim a paz que vejo em meu redor. Sou uma de milhares de criaturas, a minha inteligência foi mal utilizada, de nada me serviu. Quem me dera recompor todo o mal que fiz, mas em breve sei que vou morrer. Quando isso acontecer, que esteja a ver o mundo com os mesmos olhos de quando nasci, sempre surpreendido com cada descoberta e maravilhado com tudo como se fosse a primeira vez.
A tua vida é bela, portanto vive-a, mas lembra-te que como a tua existem milhares de outras, permite que elas vivam tal como tu. A terra ainda tem muito do paraíso que era, não te vou exigir que tragas todas as maravilhas que eu destruí, mas imploro-te, conserva com todas as tuas forças o que sobrevive.
Tenho esperança em ti! Acredito no bom futuro deste mundo!
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