| Descrição: | Transformando-se em existência escrava da droga, definitivamente não há lugar para o outro, o semelhante. De modo geral, na historia de vida da pessoa drogadicta, o outro sempre foi o outro-coisificado, mero instrumento ou objeto. A dependência de droga revela, sem duvida, a ausência do outro, do próximo. Isso explica porque o dependente não consegue manter relacionamentos profundos e duradouros com seu semelhante. A experiência do eu é vinculada a um objeto a ponto da experiência do nós ser anulada. A drogadição é o aniquilamento do eu e do nós, ou seja, do posicionamento no mundo.
Não é por acaso ou por simples coincidência que a pessoa drogadicta gosta da noite. Na noite a pessoa dependente vive às escondidas, nos cantos, às margens. Roda ou anda pela noite toda, sem rumo, "por aí", desesperada, consciente o não, em busca de prazer, segurança ou mortal conforto nas drogas para suas feridas interiores. Tenta o absurdo de evitar a solidão, solitário, com drogas. A drogadição assemelha-se perfeitamente bem com as trevas.
A função primordial do uso de drogas na sociedade é, antes de obter o prazer, é o de evitar em pensar, é de não sofrer. O uso de drogas é uma tentativa então de não sentir a dor existencial.
Dizer que as drogas são a causa da deterioração da vida é, no mínimo, uma inversão de valores. É o próprio sistema social que cria uma tendência a proliferação da drogadição.
Não é a droga que tem o poder, é a pessoa dependente que está fragilizada. O dependente não adoeceu porque começou a tomar drogas, mais sim por estar adoecido existencialmente buscou nas drogas uma "solução" ou "cura" para suas feridas mais íntimas.
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